
COMO NASCERAM AS EQUIPAS EM
PORTUGAL ?
As Equipas de Nossa Senhora estão
em Portugal há mais de 50 anos. Como será que tudo começou? Quando terá sido
o seu inicio? Onde?
Para um Movimento com esta idade,
em Portugal, estando alguns dos seus fundadores ainda vivos, importava
recolher elementos e publicá-los, para que no futuro fique a memória
daqueles que deram o seu contributo pioneiro.
Quem viveu os primeiros anos do
Movimento em Portugal tem na memória, bem viva, a lembrança daqueles
primeiros tempos. Lendo os seus testemunhos, olhando para trás, fica-nos
claramente a ideia que o Espírito sopra quando e onde quer e de muitas e
diversas formas… em Portugal também assim aconteceu. O Movimento nasceu
independentemente, de forma diferente, em Lisboa e Porto. por esta ordem, se
atendermos às datas de início das reuniões das que seriam designadas
respectivamente Lisboa 1 e Porto 1, ou Porto e Lisboa, se atendermos ao
reconhecimento oficial pelo Movimento em Paris. É sintomático que o
Movimento tenha decidido comemorar os 25 anos em 1982 (considerando a data
de reconhecimento oficial do Movimento com o reconhecimento da Porto 1 em
1957) e os 50 anos em 2005 (considerando a data da primeira reunião da que
viria a ser a Equipa Lisboa 1, em 1955). Mas pouco importa quem começou
primeiro, importa sim percebermos melhor como viveram os que viveram esses
anos memoráveis.
Recebemos recentemente dois
contributos importantes para se poder perceber os anos iniciais do Movimento
em Portugal (1955-1957): um sobre as
circunstâncias passadas no Porto, elaborado pela Equipa Porto 2, e
outro sobre
o que se passou em Lisboa, relatado por um casal da Equipa Lisboa
87, filho de um dos casais da Lisboa 1. Pelo seu interesse histórico e por
ser curioso “ouvir” contar a história por interlocutores muito próximos dos
protagonistas, resolvemos publicar ambos os documentos aqui para que todas
as circunstâncias sejam conhecidas e possam ser devidamente valorizados os
esforços dos que as protagonizaram.
Ana e Vasco
Junho de 2008
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M E M E N T O
do início do Movimento das Equipas de Nossa Senhora em Portugal
(documento elaborado pela equipa Porto 2 por ocasião dos seus 50 anos)
Porto
Novembro de 2007
Apresentação
Em 5 de Dezembro de 2007completam-se
50 anos desde a primeira reunião da Equipa Porto 2 que, graças ao Senhor,
ainda vive e prossegue com firmeza a sua caminhada.
Neste meio século de existência, esta
equipa esteve empenhada, praticamente sem interrupções, em diversas acções
de serviço ao Movimento, movida por um compromisso de gratidão pelo muito
que os seus casais sempre receberam dele.
Motivada por este mesmo sentimento, a
Equipa Porto 2 entendeu que, na celebração dos seus 50 anos, além de outras
realizações, deveria oferecer ao Movimento um estudo tão completo quanto
possível de rigorosa investigação histórica sobre o início do Movimento das
Equipas de Nossa Senhora em Portugal, estudo esse que desenvolvesse o já por
si efectuado “Contributo para a História do Movimento das Equipas de Nossa
Senhora em Portugal” enviado ao Casal Responsável Supra-Regional em Março de
2004.
Esta decisão fundamentou-se não só no
já referido sentimento de gratidão para com o Movimento, mas também no dever
ético de entrar em linha de conta com documentos originais que não foram
considerados no estudo de 2004 e também com textos constantes do livro “As
Equipas de Nossa Senhora em Portugal – Origens e etapas” publicado pela
Supra-Região em 2005.
É a esta luz, e apenas a ela, que deve
ser acolhido o presente trabalho.
I
Introdução
As Bodas de Prata das Equipas de Nossa
Senhora (ENS) em Portugal foram celebradas em 1982, em Fátima. Significa
isto que o ano de 1957 foi considerado o do início do Movimento no nosso
País. As Bodas de Ouro, porém, foram celebradas em 2005, também em Fátima.
Para esta comemoração, o ano de 1955 foi, pois, considerado o do início
deste mesmo Movimento. Esta divergência deve ser solucionada. É o que
pretende este documento.
A Equipa Porto 2
empreendeu um estudo sobre o assunto, cujo resultado foi remetido em Março
de 2004 ao Casal Supra-Regional. Desde então, novos documentos foram
recolhidos e uma reformulação desse documento se operou. Daí resulta este
“MEMENTO”.
Os documentos, os iniciais e os
posteriormente recolhidos, são, na sua maioria, originais ou cópias
integrais de cartas trocadas entre a Equipa Porto 1 e Jean Pillias (Secretário
do Abbé Caffarel), o Casal Thérese e Pierre Grosborne (Casal Piloto da Porto
1 e de Ligação da Porto 2) e o Centro Director de Paris. Os outros
documentos são: “Lettres Mensuelles” do Centro Director de Paris,
Cartas Mensais da Supra-Região de Portugal, revista l’anneau d’or (dirigida
pelo Abbé Caffarel) e o livro publicado pela Supra-Região de Portugal, ”As
Equipas de Nossa Senhora em Portugal: Origens e Etapas”, de 2005, que
se passa a designar por “O LIVRO”. Por fim, o documento dactilografado do
Casal Emília e Manuel Cunha, por eles assinado, e que é o texto testemunhal
que leram em Fátima, em 1977, na comemoração dos trinta anos da Carta das
ENS. Estão todos reunidos em Anexo, nesta publicação, excepto “O LIVRO”.
Todas as citações são em negrito e os
sublinhados das transcrições são da nossa autoria.
II
História do início do Movimento no Porto
1-Um documento-chave: Ao
compulsarmos o universo dos documentos reunidos, ao avaliarmos a sua
importância relativa e ao tentar emprestar-lhes uma ordem datável e
sequencial, surge-nos, como documento-chave, o “testemunho” do Casal
Emília e Manuel Cunha que foi por eles lido em Fátima em 1977, na sessão
comemorativa dos 30 anos da Carta das Equipas. É um documento escrito à
máquina mas assinado por ambos. Cumpre-nos dizer, apesar de desnecessário,
que eram pessoas de inquestionável probidade e rectidão, merecedores de
pleno crédito moral. Daí decorre a força do que nele se relata e que
gostosamente vamos transcrever, de forma fragmentária e gradativa, a fim de
se poder ir colocando em paralelo os assuntos abordados com os relatados
noutros documentos. É ao que passamos a proceder.
2- 1ª transcrição parcial do
“testemunho” do Casal Emília e Manuel Cunha (O texto integral
também está publicado no livro “As Equipas de Nossa Senhora em Portugal:
Origens e Etapas, 2005, págs.53 - 57) - Anexo A:
-“O Casal Supra-Regional,
Sofia e Carlos Grijó, pediu-nos para contarmos a história do começo das
Equipes no Porto. Vamos tentar fazê-lo, servindo-nos dos elementos que ainda
temos e daquilo de que nos recordarmos: Éramos Militantes da Acção Católica
e sentíamos a falta de uma organização que se destinasse a Casais e Famílias
Cristãs… Ouvíramos falar de Equipes de Casais e procurámos informar-nos do
que se passava. Soubemos de algumas experiências dentro da própria Acção
Católica mas, entretanto, em Abril de 1954, por ocasião duma viagem a Paris,
fomos portadores duma carta para o Abbé Caffarel que uma pessoa amiga nos
confiara juntamente com o pedido de lhe trazermos toda a documentação
possível a respeito das “Equipes de Notre Dame”, pois queriam organizá-las
cá no Porto. Essa carta proporcionou-nos a oportunidade de conhecermos o
Abbé Caffarel. Recebeu-nos o seu secretário Jean Pillias que numa longa
conversa nos expôs o que eram as Equipes, qual a sua finalidade, a sua
mística, o seu ideal e quais os meios de que se serviam para procurar atingi-los,
isto é, o cumprimento das obrigações da CARTA. Tomámos apontamentos de tudo,
mas ele deu-nos toda a documentação para lermos e meditarmos. No fim desta
grande conversa fomos acolhedoramente recebidos pelo Abbé Caffarel no seu
gabinete de trabalho.
Durante a viagem a caminho
de Lourdes por onde passámos, viemos a ler e a meditar em tudo aquilo que
vinha precisamente de encontro aos nossos desejos. Pareceu-nos que o ideal
das Equipes bem vivido seria um regressar ao “vede como eles se amam” dos
primeiros cristãos. Daí em diante o nosso desejo maior era que as Equipes
fossem uma realidade o mais depressa possível na nossa terra. Entretanto
esperámos que outros realizassem esse sonho e na devida altura nos chamassem
a participar como nos tinham prometido. Passou-se um ano e nada de concreto
nos diziam. Apenas debaixo dum certo mistério que os Bispos de Portugal
não viam isso com bons olhos. Então resolvemos não perguntar mais nada,
nem querer saber das experiências já feitas e tentarmos recomeçar tudo de
novo, indo diretos à fonte.
Em Outubro de 1955
resolvemos escrever
(Anexo B) ao Abbé Caffarel a perguntar se havia em Portugal Equipes de
Nossa Senhora. Se sim, a quem nos devíamos dirigir, se não o que deveríamos
fazer. Por várias circunstâncias, como viagens do Abbé Caffarel e doença
grave da esposa de Jean Pillias, etc., este só nos escreveu em Janeiro de
1956 (Anexo C), em nome do Abbé Caffarel, contando-nos que um cunhado
dele, o Sr. Jacques Lieury e o antigo secretário do “Anneau d’Or”, Gerard
d’Heilly, tinham tido contactos com casais portugueses de Lisboa. Alguns
chegaram a formar Equipes mas retraíram-se em face de algumas dificuldades,
em especial certas reticências por parte do clero. Por conseguinte achava
que não seria aconselhável naquele momento lançar oficialmente em Portugal
uma Equipe de Nossa Senhora, mas que seria desejável formar-se um grupo de
Lares acompanhados por um Padre aos quais eles forneceriam todos os
elementos necessários e ajudariam com a sua experiência de 10 anos a nossa
experiência que iria começar, mas guardando uma independência total do
Movimento das ”Equipes de Notre Dame”.
3- Comentário:
É correcta e prudente a actuação do Casal Emília e Manuel Cunha. Percebe-se
como se tornam os edificadores da primeira “Equipe de Notre Dame”, no Porto,
o que não era sua intenção inicial, embora dado o evoluir dos acontecimentos,
acabasse por ter acontecido. Afinal formam a 1ª Equipa de Nossa Senhora no
País. A esta conclusão se chega pela análise objectiva deste documento e dos
que se sucedem abaixo.
Na linha dessa sua actuação correcta,
saliente-se o cuidado que o Casal Cunha teve em perguntar directamente ao
Abbé Caffarel (Anexo B) se havia já Equipas a funcionar em Portugal, ou
alguém a tratar do assunto. A resposta (Anexo C) do secretário do Abbé
Caffarel foi esclarecedora. Estavam livres e mandatados para prosseguirem no
esforço “prudente”de iniciarem a constituição da primeira “Equipe de Notre
Dame” no País.
4- 2ª transcrição: continuação do
testemunho do casal Emília e Manuel Cunha:
-“Em Abril de 1956
voltámos a Paris e tornámos a estar com Jean Pillias. Animou-nos muito a dar
início à nossa experiência com os casais a quem já tínhamos falado e o Frei
Mário Branco que viveu a par connosco desde a primeira hora, este desejo que
era também o dele. Contávamos começar em Maio por ser o mês dedicado a Nossa
Senhora, mas só a 19 de Junho de 1956 tivemos a primeira reunião de
informação já com o frei Mário Branco como Capelão (como então se chamava ao
Assistente das Equipes). Éramos apenas três Casais: Maria Eduarda e Carlos
Freitas, Maria e Francisco Abrunhosa e nós. Marcámos a primeira reunião de
ensaio para o dia 10 de Julho”
(cujo resultado relataram ao Casal Jean et Jacqueline Pillias- (Anexo E -
que respondeu - Anexo F). Entretanto só voltam a reunir em Novembro de 1956,
e relatam-na a Jean Pillias e vão ter uma resposta, já não deste, mas do
Casal Grosborne (Anexo I- assegurando a “liaison” à Equipa)… “Em Janeiro
de 1957 tivemos nova reunião…e em Fevereiro vieram juntar-se a nós a Maria
Augusta e o José Beires…Em Março, a Maria de Jesus e o Carlos Beires e em
Maio a Susana e o Carlos Sousa Guedes…Estava assim formada a primeira Equipe…Em
Julho de 1957 houve a primeira eleição do Casal Responsável, cargo que nos
tocou a nós e foi escolhido o casal Sousa Guedes para pilotarem a Equipe
Porto 2 que ia começar. A 29 de Outubro de 1957 tivemos a primeira reunião
de balanço. Por fim datada de 7-11- 1957 recebemos uma carta da
Equipe Dirigente (Anexo J), dizendo-nos que nos recebiam de coração
aberto no seio da grande família das Equipes de Notre Dame . A partir
daí teríamos de consagrar algum tempo para um período de experiência durante
o qual o Movimento nos tomaria a seu cargo antes de fazermos o nosso
compromisso…
Em Julho de 1958 o Casal
Sousa Guedes foi eleito Casal Responsável da Equipe e em Outubro obtivemos
licença do Sr. Bispo e a aprovação do nosso Assistente, de pedirmos para
França a agregação oficial da nossa Equipe às de Nossa Senhora. Era então
exigida a opinião do Assistente para a realização do compromisso. O Casal
Responsável escreveu uma carta à Equipe Dirigente que foi também assinada
pelo Assistente, pedindo essa oficialização. A
20 de Outubro de 1958
a Equipe Dirigente escreveu-nos, atendendo esse pedido e aprovando o nosso
Compromisso, dizendo-nos que éramos a primeira Equipe portuguesa a
comprometer-se com as Equipes de Notre Dame.”…
(Anexo
R).
5-Duas datas a reter:
-
A 1ª - 7 de Novembro de 1957: Marca verdadeiramente a entrada no Movimento
das ENS da Equipa Porto 1 (Anexo J).
-
A 2ª - 20 de Outubro de
1958: Marca a confirmação dessa pertença da Equipa Porto 1 ao Movimento das
ENS, com a indicação expressa: …”Vous êtes la première equipe portugaise à
s’engager das les EQUIPES NOTRE-DAME…” (Anexo R).
6- Documentos confirmativos de ter
sido a Porto 1 a primeira Equipa de Nossa Senhora em Portugal:
a)- Lettre Mensuelle, nº 3, de
Dezembro de 1957, págs.
4:
«Vie du Mouvement, XI Année:
« Les Pays oú se trouvent les 570 Equipes: …Portugal: 1 »
b)- Carta do “CENTRE DIRECTEUR”
para a Equipa Porto 1, de 7 de Novembro de 1957, dirigida a “Mr. Et Mme
CUNAH (em vez de Cunha), R. Pinheiro Manso, 274, Porto (Anexo J):
« Chers Amis,
Pierre et Thérèse Grosborne nous ont fait part de votre lettre et nous
tenons, dès l’abord, à vous dire la trés grande joie quelle nous a donnée.
Nous vous recevons d’un grand coeur au sein de la grande famille des Equipes
Notre Dame… »
Nous vous rappelons que votre admission consacre votre désir d’expérimenter
loyalement la charte des END pendant un période que vous fixerez vous-même
avec votre foyer de liaison en tenant compte des importants efforts déjà
accomplis. Pendant ce temps, le mouvement vous prend en charge et vous aide
dans toute la mesure des moyens. A l’expiration de cette période d’essai,
vous devrez prendre à la lumière de l’expérience, la décision
d’appartenance de votre équipe au mouvement, cette décision devant être
consacrée par « l’engagement» de votre équipe. »
(assinatura ilegível, sugerindo ser de J. Lieury, membro da Equipa Dirigente
Internacional)
c)- Carta de 5 de Dezembro de 1957,
do Casal Susana e Carlos Sousa Guedes ao Casal Grosborne a participar que
iam ser o Casal Piloto da Equipa Porto 2, em formação ,(Anexo N) e onde, a
certa altura, escrevem :…”Tous deux (António Manuel e Maria da
Conceição Dória) sont très enthusiastes et serieux quand aux devoirs et
bénéfices des mouvements de foyers en ayant entendu parler a Lisbonne.
Toutefois, nous croyons que les mouvements de Lisbonne n’ont rien à voir
avec les Equipes N.D, et apparament, ne suivent pas tout à fait les mêmes
directrices, prennant, cependant, les mêmes thémes d’études… »
d)- Carta do Casal
Grosborne, de 15 de Dezembro de 1957 em resposta à carta do Casal Sousa
Guedes (Anexo O):
“Chers Amis, Votre lettre a été une grande joie pour nous - Vous nous
présentez les 4 ménages de cette nouvelle Equipe et nous faisons tous nos
voeux pour que tous ces ménages trouvent dans les équipes Notre Dame un
moyen de mieux servir le Seigneur.
Vous nous parlez des groupes de foyers de Lisbonne - Nous n’avons jamais été
personnellement en rapport avec eux - Nous savons toutefois que des
foyers se sont groupés et forment actuellement des cercles d’étude que
utilisent des questionnaires des équipes Notre Dame - Nous sommes toujours
heureux si nos questionnaires peuvent aider des groupements et être la
source d’échange de vues - Malgré tout, comme vous le dites, ces groupes ne
sont pas des équipes Notre Dame - Peut être, un jour une équipe
pourras-t-elle débuter si certains de ces ménages adhèrent à la Charte et
aux Équipes Notre Dame… »
e)-Lettre Mensuelle nº 5 -
Fevereiro de 1958, pág.6 :
Equipes
admises au Mouvement : …Porto 1.
f) - Carta do Centro Director, de
20 de Outubro de 1958 à Equipa Porto 1, assinada, em nome da Equipa
Dirigente, por Marcel e Marie-France Pavie (Anexo R):
« Chers Amis,
Nous avons la grand joie de vous annoncer que l’Equipe Dirigeante, après
examen de votre demande, a décidé le 20 Octobre 1958, de donner son accord à
votre engagement.
C’est pour nous une joie toute particulière puisque vous êtes la première
équipe portugaise à s’engager dans les Equipes Notre Dame… »
g)
- Lettre Mensuelle, nº 2, de Novembre de 1958, pág. 14 :
« Les Pays Nouveaux :
Le
Portugal - il y avait déjà l’an dernier une équipe à Porto ; il y en a deux
maintenant et plusieurs projets. Mais le fait nouveau, c’est Lisbonne.
Depuis deux ou trois ans des groupes de foyers de Lisbonne avaient adopté la
Charte qu’ils avaient connue par le Père d’Heilly dont beaucoup d’entre vous
on suivi les retraites. Tous ces groupes (18)* ont décidé de rejoindre les
Equipes Notre Dame ; déjà un prêtre et deux foyers de Lisbonne étaient venus
l’an dernier aux Journées, en invités ; cette année plusieurs foyers
responsables doivent venir, non plus en invités, mais en participants. »
*-
Terão sido 12 grupos de casais: (in:-Lettre Mensuelle nº7-Avril 1959,
pág.14: ”Equipes Nouvelles…6º-au Portugal :
ALMADA 1, BARREIRO 1, CASCAIS 1, LISBONNE 1,...LISBONNE 9.” )
Também n’ “O LIVRO”, o Casal Chaby, a
páginas 48/coluna dois, testemunha o que se passou em 1958 em Lisboa no que
respeita aos grupos que optaram pela ligação ao “Mouvement des E.N.D.” ver
Cap. III nº3.
h)- « Carta prateada »,
comemorativa das Bodas de Prata das ENS em Portugal, nº 2, Novembro e
Dezembro de 1982, pág. 90:
Peregrinação a Fátima em 20 e 21 de
Novembro :
Depoimento do Casal d’Amonville,
responsável da Equipa Dirigente Internacional:
“Quanto caminho já
percorrido, com efeito, desde aquele dia do ano de 1957 em que a primeira
equipe de Nossa Senhora se reuniu no Porto! Encontramos nos nossos arquivos
o relato deste arranque feito em Outubro de 1958, nas jornadas de
Responsáveis de equipa em Paris, por um casal de Equipa Responsável
(Geneviève e Constantin Sipson). Pensamos que ele vos interessaria.
“Fomos no mês de Maio de
1958, Constantin e eu, passar alguns dias em Portugal para visitar as
equipas.
Nós aprendemos aí um
ditado português:
em Lisboa divertem-se,
no Porto trabalha-se,
em Coimbra estuda-se,
em Braga reza-se”
Pois bem, foi na cidade
onde se trabalha que começaram as Equipas de Nossa Senhora…”
III
História do início do Movimento em Lisboa
Esta história é
contada pelos protagonistas dos esforços desenvolvidos em Lisboa para lá se
iniciar o Movimento das ENS. Limitamo-nos
aqui a transcrever de forma seleccionada o que escreveram em “O LIVRO”:
1 - 1ª
transcrição:
a) -A págs. 38 lê-se,
como transcrição do “Suplemento da Carta Mensal de Maio de 64”: “As
Equipas nasceram em Portugal quase por geração espontânea. Em 1955, como
consequência de uma série de Retiros pregados pelo Padre d’Heilly,
constituiu-se em Lisboa a primeira equipa. Com o auxílio e colaboração dos
membros desta equipa, outras se foram constituindo, Havendo um
conhecimento vago do Movimento e de “A Carta”, era tudo um pouco improvisado.
No entanto, e perante o sucessivo aumento do número de equipas, começou-se
logo a trabalhar num início de organização que veio a sofrer o mais forte
impulso com a vinda a Lisboa do casal Sipsom, em 1958- constituição do
primeiro Sector, formação de quadros e início do trabalho de Secretariado”.
b) - A páginas 39 e 40 lê-se, da
autoria do casal Maria Teresa e Fernando Pinto Leite- Lisboa 1: “…durante
um desses almoços aconteceu estar connosco o Eng. Gérard d’Heilly que, ao
deitar os olhos para uma das nossas estantes de livros, reparou que tínhamos
uma colecção da revista “L’Anneau d’Or”…assim, veio a propósito falar-nos do
seu irmão jesuíta que se dedicava a fundo a trabalhar com casais, pregando
retiros em que marido e mulher tomavam parte e impulsionando em França e
noutros países o Movimento das “Equipes de Notre Dame”…Ficámos logo
entusiasmadíssimos com a ideia de poder organizar um desses retiros…E foi um
verdadeiro sucesso esse retiro de casais, realizado em Sintra, na Quinta da
Regaleira. Passa-se isto em Maio de 1955…No fim do retiro, aconselhados pelo
próprio Padre d’Heilly, estava formada a primeira equipa de casais.
Em 1956 o Padre d’Heilly
volta a Lisboa e novas equipas se formam… mais tarde,
tivemos também a alegria de hospedar em nossa casa, em Paço d’Arcos, (tal
como já o tínhamos feito ao Padre d’Heilly), o Padre Caffarel que se
deslocou a Lisboa
(isto só ocorreu em 1958! –cf. nº. 3, c) - para ajudar, com o seu apoio,
o Movimento que ora começava.”
2- 1º Comentário: Como é óbvio
aquele grupo de Casais que se denominou como “Equipe Lisboa 1” iniciada no
final do 1º retiro com o Padre d’Heilly em Outubro de 1955 não constituiu
uma Equipe de Notre Dame porque a carta de Jean Pillias (Anexo C) de 13
Janeiro de 1956 testemunha que nessa data ainda não havia Equipes de Notre
Dame em Portugal. Aliás, o Casal Grosborne confirma o mesmo facto em 15 de
Dezembro de 1957; “…Ces Groupes ne sont pas des Equipes de Notre Dame.
Peut etre, un jour une equipe pourras-t-elle débuter si certains de ces
ménages adherent à la charte et aux equipes Notre –Dame…” (Anexo O).
A descrição dos factos tal como está
elaborada – do seu desenvolvimento ao seu enquadramento nos sucessivos
cenários apresentados - e segundo o transcrito acima nas alíneas a) e b) do
ponto 1.deste capítulo, induz quem lê a concluir que tudo se teria passado
no seio do “Mouvement des Equipes de Notre-Dame” e com um mandato
tácito ou explícito da Equipa Dirigente. Ora o Padre Alphonse d’Heilly não
estava mandatado pelo Movimento para tal poder fazer, e a vinda a Lisboa
do Casal Sipsom e do Abbé Caffarel aconteceu apenas em Maio de 1958 como se
comprova adiante: nº 3, c) . Nada melhor para confirmar o que se afirma
do que a “2ª transcrição”que se segue:
3- 2ª transcrição: -
texto do Casal Maria Beatriz e Carlos Chaby publicado a páginas 47 /49 d”O
LIVRO”.
A preceder o texto do Casal Chaby há
esta introdução que também se transcreve: “Abrangente em extensão e em
tempo, temos o texto escrito pela Maria Beatriz e Carlos Chaby que, desde o
início e nos anos fundadores, muito deram e se deram ao Movimento…”
O texto do Casal Chaby:
a)- “O Padre d’Heilly, durante os retiros que pregou em 1955, referiu-se
às vantagens de os casais se agruparem formando equipas, tal como já
acontecia em França, onde eram conhecidas por “Equipes de Notre-Dame”.
Indicou sucintamente as respectivas normas de funcionamento mas não
precisou, todavia, que essas equipas
constituíam
um Movimento organizado, dirigido por um “CENTRO DIRECTOR” formado por leigos
e do qual era Assistente o Padre Henri Caffarel. Na sequência desses retiros,
alguns casais tomaram a iniciativa de formar Equipas que tentavam aplicar as
orientações enunciadas. Nascem, assim, quase simultaneamente, as primeiras
duas equipas de Lisboa, constituídas por alguns casais que tinham
participado no 1º retiro e por outros que, com laços familiares ou de
amizade, se lhes juntaram. A primeira, que viria a ser a número um, foi
constituída pela Teresa e Fernando Pinto Leite... O Padre d’Heilly voltou em
1956 e os retiros que pregou originaram novas equipas, tendo-se constituído
três ainda nesse ano e mais três em 1957. E foram os casais da Equipa 1
porque mais haviam contactado com o Padre d’Heilly e, portanto, mais
informações tinham recebido, que ajudaram ao seu nascimento,
desempenhando as funções de Casal Piloto.
Aconteceu que, em Maio de
1957, o Padre Victor Franco que era Capelão dos Hospitais e Assistente da
Lisboa 5, durante um Congresso de Médicos, travou conhecimento com um dos
participantes de nacionalidade francesa e, conversando sobre questões de
formação religiosa, referiu que era Assistente de uma Equipa de Nossa
Senhora. Ora, o médico francês, Maurice Abiven, e sua mulher, Geneviéve,
tinham feito parte do pequeno núcleo de casais que, acompanhados e
incentivados pelo Padre Henri Caffarel, esteve na origem do Movimento. Muito
ligado ao “CENTRO DIRECTOR” sabia que as equipas já tinham ultrapassado as
fronteiras francesas e que existiam na Bélgica, na Suiça e em Espanha e,
ignorando já haver equipas em Portugal,
manifestou interesse em contactar com alguns dos seus membros…”
b)-Depois, a págs. 47 e 48, descrevem
como se concretizou o encontro com os Abiven, as explicações que eles deram
e a sugestão para a ida a Paris já nesse ano de 1957 para participarem,
como convidados, na Reunião Anual dos Responsáveis naquele ano de 1957
em que se comemoraram os dez anos da proclamação de “A Carta”, o que veio a
acontecer com a participação do Casal Chaby e do Padre Victor Franco.
Referem que conversaram, com muita utilidade, com o Abbé Caffarel e com o
Casal Sipsom responsável do “CENTRO DIRECTOR”, e escrevem a seguir (pàg.48)
que puderam ter a possibilidade de trazer “documentos importantes, já
editados pelo Movimento e que, para muitos casais de Lisboa, ainda eram
desconhecidos.”.
“Uma das razões avançadas para justificar a necessidade de, em 1947,
redigir e publicar A CARTA, foi a de demarcar as END de outros grupos que
adoptavam apenas algumas das orientações e dos métodos das END, sem
respeitarem integralmente os princípios que A CARTA veio estabelecer e cuja
integral aceitação passava a ser condição indispensável à admissão no
Movimento. Com a expansão do Movimento, não só em França como também nos
países limítrofes, uma das grandes preocupações do “CENTRO DIRECTOR” era a
de manter a sua unidade.”
c) - “Compreende-se assim que, perante as notícias do que se passava
em Lisboa, o Padre Caffarel e o Casal Sipsom considerassem urgente
virem cá para, pessoalmente, se inteirarem da situação”.
“Perante todos estes
factos novos, considerou-se conveniente organizar um encontro para que o
Padre Vítor Franco e os casais que tinham ido a Paris pudessem transmitir
aos casais das equipas já existentes, e aos respectivos Assistentes tudo
o que se havia progredido no conhecimento do Movimento, dos seus objectivos,
orientações e métodos de trabalho. O encontro realizou-se na Casa de Retiros
de S. Mamede e, porque se sabia da existência de outros grupos de casais que
se haviam constituído por iniciativa de alguns sacerdotes e de algumas
Paróquias, também eles foram convidados. No decurso do encontro manifestaram-se
duas tendências bem claramente definidas: os que, em princípio, aceitavam os
objectivos, orientações e métodos definidos pel ‘A CARTA e os que, total ou
parcialmente, os rejeitavam…
O resultado prático do
encontro de S. Mamede foi a definição de quem pretendia integrar-se no
Movimento e de quem preferia continuar à margem dele…”.
- Na continuidade deste texto
transcrito, pormenorizam-se outros aspectos sobre a constituição dos grupos
existentes e as movimentações operadas, para (pág.49-2ª coluna) se dizer: “…Foi
esta situação que o casal Sipsom encontrou, quando veio a Lisboa em Maio de
1958.”
4- 2º Comentário:
- Não ficam nenhumas dúvidas de que
até 1958 as equipas de Lisboa não pertenceram ao designado e instituído
Mouvement des Equipes de Notre-Dame (END).
Importante é ainda referir, neste
momento, como, nos documentos oficiais do Movimento END (Lettres
Mensuelles), se anuncia a entrada das Equipas portuguesas após a sua
admissão oficial pelo CENTRO DIRECTOR, facto este que é o que marca o
direito a poderem afirmar-se como “Equipas de Nossa Senhora”.
O testemunho do Casal Chaby confirma o
que estava relatado anteriormente, que as ENS não se iniciaram no País
quando os Casais de Lisboa se agruparam na base das indicações do Padre
d’Heilly, em 1955.
5- Um documento adicional:
a) - Lettre Mensuelle, nº 7, de
Abril de 1959, pág. 14 :
“Equipes Nouvelles : …au
Portugal : Almada 1, Barreiro 1, Cascais 1, Lisboa 1,2,3,4,5,6,7,8,e 9.”
6 - 3º Comentário:
Ficam documentadas as vicissitudes por
que passou Lisboa para entrar no Movimento das ENS e como essa entrada foi
posterior à admissão oficial da Equipa Porto 1 e à autorização de pilotagem
da Equipa Porto 2 (Anexo J de 7/11/1957).
Este anexo apresenta em P.S. o seguinte: « Nous vous joignons
également une fiche
d’équipe et des fiches de foyer que vous voudrez bien faire remplir par
chaque ménage de votre equipe et nous retourner par um trés prochain
courrier afin que chaque membre reçoive régulièrement la lettre mensuelle.”
Este
envio é mais um dado a confirmar a adesão e o reconhecimento da Equipa Porto
1 no Movimento das ENS.
IV
A actuação inicial do Clero e a sua influência na implantação das Equipas em
Portugal
As ENS não foram aceites em Portugal
da mesma maneira no Porto e em Lisboa quer pelos respectivos Prelados quer
por sacerdotes. Apenas nos vamos restringir ao que está dito pelos casais
intervenientes, nos seus testemunhos e documentos trocados, a propósito.
Abordamos separadamente o que se passou na Diocese do Porto e na Diocese de
Lisboa.
1-Na Diocese do Porto:
A- O Casal Emília e Manuel Cunha
testemunham o seguinte (Anexo A)
”…Entretanto,
(estava-se no início de 1957) fomos falar com o nosso Prelado
contando-lhe o que se estava a passar e ele mandou-nos andar para diante,
pedindo-nos apenas para de vez em quando lhe irmos dando um relatório do que
se ia fazendo. Além disso, encarregou-nos de perguntarmos para França o que
por lá se fazia com respeito à preparação dos noivos para o Casamento. Isto
deu lugar a que mais tarde nos enviassem toda a documentação do C.P.M. (Cursos
de Preparação para o Matrimónio) do qual veio a ocupar-se a Equipa Porto
2. (Este apontamento acerca do C.P.M. foi um aparte, mas referimo-nos a isso
porque achamos que tem interesse saber-se que foi mesmo o Senhor Bispo
(D. António Ferreira Gomes) quem manifestou esse desejo).
…Em Julho de1958 o Casal
Sousa Guedes foi eleito Responsável da Equipe Porto 1 e em Outubro
obtivemos licença do Senhor Bispo e a aprovação do nosso Assistente
(já o Frei Vargas) de pedirmos para França a agregação oficial da nossa
Equipe às de Nossa Senhora…
Começou
(entretanto) a sentir-se a necessidade dum Órgão Coordenador. A 22 de
Novembro de 1958 houve a primeira reunião para a formação duma Equipa
Coordenadora, futuro Sector.”
B-
Na carta da Equipa Dirigente de Paris de 7 de Novembro de 1957 (Anexo J),
carta já acima citada e em que é “proclamada” a aceitação da Equipe Porto-1
no seio das “Equipes de Notre Dame”, lê-se, a certa altura:… « Nous nous
réjouissons aussi de voir que votre Evêque a si bien compris les buts et
l’esprit de notre mouvement et qu’ainsi duement autorisés par lui,
vous pouvez essayer de fonder une nouvelle équipe et peut être même une
troisième par l’intermédiaire de votre aumônier… »
C- A concretizar este voto da Equipa
Dirigente de Paris, forma-se a Equipa Porto 2, como se lê na carta do Casal
Sousa Guedes (Anexo N), de 8 de Dezembro de 1957, dirigida ao Casal
Grosborne, que ficou a funcionar como Casal Piloto da Equipa
Porto 1 e como Casal de Ligação da Porto 2, assim: “Chers Amis :
C’est la première fois que nous vous écrivons… nous voilá aussi en contact
direct avec vous une fois qu’on nous nomma Foyer Pilote de l’Equipe en
formation Porto 2.
D- Chegados a este ponto, percebe-se o
seguinte trecho do testemunho do Casal Emília e Manuel Cunha (Anexo A):
…”Em Dezembro (1958) a Equipe de Coordenação estava formada com
Casais das Equipes Porto 1 e Porto 2 tendo como Assistente o então Padre
Manuel Vieira Pinto (nomeado pelo Bispo e que em 30 de Maio de 1958
participara no Hotel da Granja no retiro de Casais feito pelo Padre Alphonse
D’Heilly)
E- 4º Comentário:
Fica claro que em Dezembro de 1957
estavam admitidas no “Mouvement des Equipes de Notre Dame” a primeira Equipa,
a Porto 1 (desde 7 de Novembro de 1957), e agora, em 5 de Dezembro de 1957,
a Porto 2, uma vez autorizada a pilotagem.
2-Na Diocese de Lisboa
Em Lisboa as coisas correram de forma
diferente. Vejamos o que está testemunhado, mais que documentado:
A-
Do testemunho do Casal
Chaby em “O LIVRO”, pág. 49: ...” Se tentarmos uma viagem de
regresso aos últimos anos da década de 50, pré-conciliares,
compreendemos como a situação que se depara às equipas recém-constituídas
que desejavam integrar-se no Movimento, já então supra-nacional, não
era fácil. Com efeito, os principais objectores eram os sacerdotes com muito
prestígio, quer pelas funções que desempenhavam na Acção Católica quer como
priores de paróquias, então consideradas “ paróquias-modelo.
Na defesa do Movimento,
foi então muito decisiva a actuação do Cónego Asseca, em quem o Cardeal
Cerejeira depositava muita confiança, bem como o Padre Victor Franco que, no
seu regresso de Paris, apresentou ao Sr. Cardeal um relatório pormenorizado
sobre o Movimento, os seus objectivos, os seus métodos, a sua expansão e a
indicação dos dirigentes com quem tinha contactado…Foi esta a situação que o
Casal Sipsom encontrou quando veio a Lisboa em Maio de 1958. A organização
da sua estadia, designadamente no que respeita às visitas que desejavam
efectuar ao Sr. Cardeal Patriarca e ao Bispo de Tiava, que titulava a Acção
Católica, não foi fácil mas, graças à influência do Sr.Cónego Asseca, tudo
se pôde harmonizar.”
B- Perante esta última afirmação fica-se
na dúvida se sim ou não o Casal Sipsom foi recebido por aqueles Prelados,
tanto mais que, adiante, a páginas 51 do mesmo livro, lê-se:”…Em Julho
de 1961, o Casal Abiven vem a Lisboa, promovendo-se vários encontros de
formação…com “quadros”e com Assistentes que precederam uma rápida visita do
Padre Caffarel que foi recebido pelo Sr. Bispo de Tiava. O ambiente era
já bem diferente do que rodeara a visita de 1958.” (O Abbé Caffarel
também estivera em Lisboa em 1958, como referido acima).
O desconhecimento de que as
“Equipes de Notre-Dame… constituíam um Movimento organizado, dirigido
por um “CENTRO DIRECTOR” formado por leigos e do qual era Assistente o Padre
Henri Caffarel” (texto do Casal Chaby) e as dificuldades com a
hierarquia explicam que só em meados de 1957 tenha havido o primeiro
contacto com o Centro Director na forma de “um curto texto dirigido ao
Padre Caffarel do qual Maurice Abiven foi portador ” (texto do casal
Chaby).
E
escreve-se na: “Lettre Mensuelle XII Année – Nº. 2 – Novembre 1958-
Partie commune, pág 14:
« LES PAYS NOUVEAUX
Le
Portugal – il y avait déjà l’an dernier une équipe à Porto ; Il y en a deux
maintenant et plusieurs en projets. Mais le fait nouveau, c’est Lisbonne.
Depuis deux ou trois ans des groupes de foyers de Lisbonne avaient
adopté la Charte qu’ils avaient connue par le Père d’HEILLY dont beaucoup
d’entre vous ont suivi les retraites. Tous ces groupes (18) ont décidé de
rejoindre les Equipes Notre-Dame ; déjà un prêtre et deux foyers de
Lisbonne étaient venus l’an dernier aux Journées, en invités ; cette année
plusieurs foyers responsables doivent venir, non plus en invités, mais en
participants.
(já citada:
al. g; ponto 6;Cap.II).
C- Na carta
(Anexo C) de Jean Pillias para o Casal Emília e Manuel Cunha, de 13 de
Janeiro de 1956, lê-se, como já acima
transcrito (págs.2 e 3): « … quelques uns de ces foyers ont, en effet,
essayer de former des groupes, mais ils se sont heurtés à diverses
difficultés et notament je dois le dire, à une certaine réticence du clergé.
Je ne pense donc pas qu’il soit souhaitable d’essayer de lancer
officiellement une Equipe Notre Dame actuellment dans votre pays… ».
V
Da existência duma data precisa do início do Movimento das ENS em Portugal
Em “O LIVRO” liga-se o início das
Equipas em Portugal a Lisboa, em 1955 como transcrito acima na a), nº1, Cap.
III. Importa acrescentar ainda mais o seguinte, que se transcreve de “O
Livro”:
- (a págs. 37), como parte da
Introdução ao Capítulo 3, lê-se: “…Foi assim que, por simples contactos,
ou pela leitura do “L’Anneau d’Or”, ou através dos primeiros retiros para
casais, ou por transmissão oral sucessiva, ou por isso tudo, chegou a
Portugal (a Lisboa, ao Porto, a Coimbra) a Boa Nova de existir em França um
Movimento que respondia àqueles anseios.
A notícia chegou antes de
1954, em 1955 foi mais publicitada e, calmamente, mas com entusiasmo, fez o
seu rápido caminho”… “Mais do que arrolar factos, o que se quis com este
trabalho foi deixar impressões vividas do contexto, do ambiente, das pessoas…”
-No final da 2ª coluna da pág.37 e na
1ª coluna da pág. 38, lê-se: …”A origem das Equipas de Nossa Senhora em
Portugal foi-nos dada por um texto da Geneviève Sipsom que, com seu
marido, Constantin, foram o primeiro Casal Responsável da Equipa
Dirigente, como então se chamava, e lido numas Jornadas de Responsáveis de
Equipas, em Outubro de 1958, em Paris.
A Marie e o Louis d’Amonville, então eles próprios o Casal Responsável
Internacional, recordaram-no em 1982, em Fátima, onde vieram com o Padre
Tandonnet.”…
Ora, este texto do Casal d’Amonville
foi inicialmente publicado na carta mensal nº2, Nov/Dez de 1982, a págs. 90,
(nesse ano as cartas mensais tiveram capas prateadas, evocativas das Bodas
de Prata), e foi acima citado no h), do nº6 do Capítulo II, e só
parcialmente transcrito, começando assim:
“Caros Amigos:
Permitam-nos desde já dizer-vos quanto estamos contentes por termos podido
vir passar estes dois dias convosco, estes dois dias de acção de graças por
tantas maravilhas vividas através das equipas de Portugal ao longo de 25
anos. Quanto caminho já percorrido, com efeito, desde aquele dia do ano
de 1957 em que a primeira equipe de Nossa Senhora se reuniu no Porto!
Encontrámos nos nossos arquivos o relato deste arranque feito em Outubro de
1958, nas jornadas de Responsáveis de equipe em Paris, por um Casal da
Equipa Responsável. Pensamos que ele vos interessaria”…
Depois, na continuidade, os
d’Amonville lêem o testemunho original dos Sipsom e que é, aliás, a única
parte transcrita em “O Livro” do seu testemunho (in:pag.38/1ª coluna).
A transcrição deste testemunho dos
d’Amonville tem uma força documental relevante, como é óbvio, e confirma que
o início do Movimento das ENS em Portugal ocorreu em 1957 com a admissão da
Equipa Porto I, a 7 de Novembro (Anexo J).
Conclusão Geral
A conclusão final deste “Memento”é de
que O Movimento das Equipas de Nossa Senhora se iniciou em Portugal na
Diocese do Porto com a admissão oficial da Equipa Porto 1, em 7 de Novembro
de 1957, e que isso se deveu, de forma determinante, à visão esclarecida do
Bispo do Porto, D.António Ferreira Gomes.
Aqui chegámos, afinal, pela mão de
Alexandre Herculano (in: Advertência da Primeira edição da História de
Portugal; Liv. Bertrand, 1980,págs. 15):”…em toda a obra histórica, nem o
autor deve pedir benevolência nem o leitor a deve conceder…O fim da
história é a verdade... Nenhumas considerações humanas podem alterar esta
regra; e por isso, longe de pedir indulgência, pedirei aos homens
competentes a severidade para com este escrito. É o interesse da ciência que
o exige. Nas doutrinas de opinião talvez sejam lícitas as concessões: nas
matérias de factos seriam absurdas”…
Terminamos reiterando o que nos levou
a elaborar este documento:
O exercício do dever de profunda
gratidão pelo muito que devemos ao Movimento das Equipas de Nossa Senhora.
A Equipa Porto 2
(Maria José e Rui Cunha)
(Maria da Conceição e António Manuel
Dória)
(Maria Júlia e Levi Guerra)
(Maria Fernanda e Joaquim Pinto
Machado)
(Maria Arminda e Aristides Coelho)
(Maria Vitória e João Cruz)
(Frei Bernardo Domingues)
c.c. D. Manuel Clemente, Bispo do
Porto
Casal Responsável
Provincial
Casal Responsável
Regional do Porto

Contributo
para o Historial do Movimento das
Equipas de Nossa Senhora, em Portugal
Introdução
Esta contribuição é feita por um dos
10 filhos do casal Pedro e Maria d’Avillez.
Está este escrito, baseado em
conversas mantidas ao longo de muitos anos, com a nossa Mãe. É também o
fruto das histórias que de quando em quando contava a todos os seus filhos,
em casa. Quando em 1984, de volta do Canadá depois de uns anos a trabalhar
nesse país decidimos, minha mulher Mary Anne e eu, juntarmo-nos ao Movimento,
redobraram estas conversas de forma a informar aquela decisão.
Juntámo-nos com outros casais tendo,
pouco tempo depois, começado a equipa 87-B onde ainda estamos, graças a
Deus.
Em 1987, a Mary Anne e eu, pedimos à
minha Mãe, e à sua e nossa grande amiga Helena Maria Fragoso, também ela uma
fundadora das Equipas de Nossa Senhora em Portugal, que nos contassem mais
detalhes sobre o início das Equipas nestas Terras de santa Maria, e sobre as
pessoas que estiveram de uma forma ou de outra envolvidas na implantação
deste Movimento em Portugal.
Ambas relembram a falta que fazia
nessa altura, aos jovens casais, alguma informação e alguma formação nos
assuntos realmente importantes da vida do casal, quer ao nível da vida do
casal nos seus aspectos físicos, quer e sobretudo na vivência espiritual e
no crescimento na Fé, de um casal católico.
Meus pais casaram em 11 de Novembro de
1941, tendo os seus 10 filhos nascido entre 1942, ano em que veio ao mundo a
nossa mana mais velha, até 1955 quando recebemos o nosso benjamim, 10º filho
baptizado, como era hábito nessa altura, por Sua Eminência o Sr. Cardeal
Patriarca de Lisboa.
O Pai morreu em 12 de Novembro de
1959, aos 43 anos, de mão dada com minha Mãe, rodeado pelos seus filhos,
irmãos e, claro, toda a Equipa de Casais a que pertenceu. Minha Mãe, que
nunca deixou a sua equipa, morreu em 22 de Novembro de 1997, também ela
rodeada pelos seus dez filhos e toda a família a eles pertencente.
Como o Movimento faz no próximo ano de
2005, os seus cinquenta anos em Portugal, pareceu-me que seria apropriado
partilhar com todos os “equipistas” estas memórias que venho relembrando e
que começam em 1955, quando eu tinha os meus sete anos de idade.
Os antecedentes
Maria d’Avillez relembra que desde o
início dos anos 50 que vários casais começaram a sentir a necessidade de
mais qualquer coisa, em termos de formação cristã e aprofundamento da
relação mútua, para já não falar no enfrentar de problemas próprios do casal,
entre eles o da sexualidade e outros de que não se falava de todo na
sociedade portuguesa de então. É importante lembrar que ainda se faziam
sentir os efeitos da II Grande Guerra (39-45), que tinha devastado quase
toda a Europa e causado mau estar e vida difícil por todo o lado. Não havia
por isso, entre nós ou na Europa de então, facilidades de se viajar ou de
ter acesso rápido a muitos livros, conferências, ou outros meios
indispensáveis para a divulgação de ideias novas.
Em Maio de 1950 a JIC, Juventude
Independente Católica, realizou um congresso, organizado pela Sr.ª D. Maria
Ulrich, que teve enorme êxito e veio reforçar os contactos entre uma série
grande de jovens, de ambos os sexos. Alguns dos que participaram neste
congresso, casaram nesse ano e, quer esses quer outros, sentindo esta
necessidade de aprofundar ideias comuns e de ao mesmo tempo se continuarem a
ver, incitaram a organização de encontros de casais que foram juntando
jovens, e menos jovens, com preocupações comuns.
Por, na altura, a sociedade ser menos
afluente que a de hoje, estes encontros vieram a realizar-se em casas de
casais um pouco mais velhos, com casa própria e posses para o fazer. Os
condes de Vilalva, foram dos mais generosos e por isso, no Estoril tiveram
lugar os primeiros encontros.
Começou a circular entre alguns destes
casais a revista “Anneau d’Or”, e organiza-se no Colégio do Ramalhão um
curso de formação para raparigas da JIC que, por isso, ficaram conhecidas
como o grupo do “Ramalhete”.
Estamos já em 1954 e, para um curso de
formação de dirigentes de empresas, vem a Lisboa um eng. Francês, de nome
d’Heuilly, para trabalhar com homens ligados à C.U.F. (Companhia União
Fabril) grande grupo fabril português onde havia alguma preocupação com a
formação dos seus activos, a nível técnico e a nível social.
Necessariamente elitistas, por serem
exclusivamente para quem soubesse francês, aquelas revistas e estes
encontros com técnicos estrangeiros, foram a mola real que despoletou a
acção que se seguiu. Em um dado momento encontram-se e conversam entre si, o
Fernando Pinto Leite, que ao tempo trabalhava na C.U.F. e o eng. D’Heuilly.
Por este, o Fernando e a sua mulher Teresa Pinto Leite, ficam a saber que há
um padre francês, irmão deste engenheiro, e Jesuíta de formação que, embora
não pertença ao Movimento de Equipas de Nossa Senhora de França, (Equipes de
Notre Dame) conhece bem aquele movimento e é capaz de leccionar os retiros,
necessários à formação dos casais e conducentes à sua organização em equipa.
Entusiasmados com a ideia, Fernando e
Teresa Pinto Leite ajudam a organizar uma conferência em S. Mamede, só para
casais, que teve tanto êxito que chegaram a vir pessoas de Cascais! Aqui se
confirmou o número necessário de pessoas que, entre si, contribuíssem para
garantir o pagamento da deslocação e as custas da estadia em Portugal, do
Jesuíta Père d’Heuilly. Lembro-me que se deslocou num Citroen 2 cavalos e
tinha que apanhar banhos de sol e de iodo, nas pernas, pois tinha tido um
acidente havia pouco tempo. Ficou na nossa casa de Cascais, durante uma
parte do Verão e ia para a praia connosco, logo cedo pelas 9h30, vestido de
preto e de boina também preta, na cabeça. Era alto e pesado mas muito
simpático e ensinava-nos palavras de francês, para além das que aprendíamos
nos álbuns do Tin-Tin.
Leccionou não um mas dois retiros, de
forma que assim saiu mais barata, por casal, a sua deslocação.
Maio de 1955 foi o mês escolhido para
este primeiro retiro, que teve lugar em casa da Família d’Orey, em Sintra,
na Regaleira. Todos os presentes foram convidados dessa numerosa família.
Todos tinham que saber francês. Desse primeiro retiro, entre outros, faziam
parte os casais de “S. Mamede”:
Fernando e Teresa Pinto Leite
Rodrigo e Teresa d’Orey
Henrique e Bolinha Paço d’Arcos
Lão e Gracinha de Castro
João e Palmira Duarte, e outros.
É curioso lembrar que o João Duarte
que, como outros, tinha alguma dificuldade em acompanhar a língua francesa
que era usada no retiro, interpelou um outro, que como ele se expressava com
dificuldade em francês, dizendo-lhe, para o animar: «Faites des tripes
coraçon»!
Uma semana depois, novo retiro, no
mesmo local, junta outros casais, entre eles:
Leo e Ruxa Leitão
Henrique e Isa Anjos
Teddy e Mita Santos
João António e Helena Maria Fragoso
Pedro e Maria d’Avillez
Luis Pina e Marta Mayer Pina
Maria e João Simões de Almeida
Pinha e Luís Pinto Coelho
Bé e Carlos Chaby
Entusiasmo e espiritualidade são dois
entre tantos adjectivos para explicar o que foi o sucesso destes dois
retiros. Pela primeira vez se discutiram atentamente temas vários e entre
eles o da sexualidade. Deu brado em Lisboa e arredores a teoria exposta pelo
“avançado jesuíta francês” de que o fim primordial do casamento, sob o ponto
de vista da Fé Católica, não era a procriação, mas sim a salvação mútua da
alma de cada um dos membros do casal!
O tema “Amor e Casamento” foi de tal
forma explanado pelo sacerdote que ainda hoje – cinquenta anos depois – os
casais ainda vivos lembram com emoção o que sentiram na altura!
Uma mãe de 9 filhos, à espera do 10º
em Maio 1955, foi autorizada a dormir em casa todas as noites que durou o
retiro. Isto era uma grande quebra da rotina e da disciplina do retiro só a
custo foi “tolerada” pelo sacerdote!
A Grande Aventura
E o que havia de comum?
1º- O elo inicial da JIC a que alguns
dos membros tinham pertencido.
2º- O facto de serem todos casais,
preocupados com a evolução social, moral, e da Fé que fatalmente o
pós-guerra tinha trazido, inclusive aqui para o nosso Portugal.
3º- O Retiro de Maio 1955 que havia de
ficar famoso, em especial entre estes primeiros “retiristas” e pioneiros do
movimento. Criaram-se entre estes casais laços de amizade e de espírito de
entreajuda tão fortes, que só a morte tem sido capaz de lhes pôr fim, do
ponto de vista terreno. No entanto, vejo por mim que, na mente dos vivos,
sentimos com muita facilidade a presença dos seus queridos mortos.
Père d’Heuilly, durante a pregação dos
retiros, avisara os casais de que o mundo e a vida estavam em mudança. Ele
próprio lhes suscitou interrogações e os lembrou de que tinham de rever tudo
o que haviam aprendido até então: era necessário ir mais vezes ao
confessionário, partilhar com o padre os deveres do casal que não eram
cumpridos. Isto era tudo novo no universo português de então!
Outro caso interessante foi o de o
Père d’Heuilly se ter “zangado” com dois casais que ele achava que não
estavam a colaborar como deviam e depois os outros casais disseram-lhe que
um deles era professor catedrático e o outro era um distinto Banqueiro que
dirigia um dos melhores e mais avançados bancos da altura!
Porque trabalhava há mais de 14 anos
com casais, o Padre d’Heuilly recomendava que se organizassem em equipas
para fomentar a entreajuda e a partilha.
Em Junho 1955, e no seguimento destes
retiros, reúnem-se pela primeira vez estes casais em casa do Pai e da Mãe,
na Avenida Emídio Navarro 36 em Cascais. Estava lançada a Grande Aventura
com a constituição nesse mês da 1ª Equipa do Movimento das Equipas de Casais
de Nossa Senhora, e dela faziam parte:
Fernando e Teresa Pinto Leite
Leo e Ruxa Leitão
João António e Helena Maria Fragoso
Henrique e Bolinha Paço d’Arcos
João e Palmira Duarte
Teddy e Mita Santos
Henrique e Isa Anjos
Lão e Gracinha Castro
Pedro e Maria d’Avillez
A Equipa número 1
Esta equipa, de nove casais, por ser a
primeira, não tinha casal piloto! Em Outubro, no entanto, em casa do João
Duarte e Maria Palmira Duarte, houve a primeira reunião com pilotagem que
foi feita pelo casal d’Heuilly (o engenheiro e sua mulher que eram irmão e
cunhada do jesuíta) e, pela primeira vez, houve entre todos a noção de que
existia uma CARTA e um Movimento que, já noutros países, nomeadamente em
França, tinha dado os primeiros passos havia anos.
Tudo tinha começado em 1947 em França
na altura em que a Carta surgiu, no seguimento de aspirações e inquietações
que grupos de casais católicos vinham sentindo e expressando desde 1938, mas
que a guerra calara, dividira, e também enlutara!
Em 1956, durante as férias da Páscoa,
os meus pais foram viver para o Couto de Cucujães (hoje chama-se só Cucujães)
pois que o tamanho da família os motivara a procurar um emprego mais
compensador, que o Pai encontrou na Oliva, tendo para isso que deixar com
grande desgosto, a sua vida de militar na Força Aérea.
De facto em 1956 e porque o Pedro e a
Maria viviam perto do Porto, tendo ajudado a fazer essa ligação, o Père
d’Heuilly fez um primeiro retiro no Porto.
Tinham estes novos casais, idades que
variavam entre os 30 e os 38 anos. Quase todos com filhos, alguns com muitos
filhos. Sentindo todos, sem excepção, esta comunhão colectiva, que só os
ideais nos conseguem emprestar. O deles é: O CASAMENTO!
Ainda em 1955, e com a vinda do casal
d’Heuilly, ficou feita a ligação a Paris. Dali passaram a vir as cartas
mensais, os temas, as informações! Lembro-me bem da alegria com que o Pai e
a Mãe recebiam todos os meses a revista «Anneau d’or» que também era um dos
veículos, das teorias do Movimento.
Em 1956, em Maio, o Père d’Heuilly
voltou e fez com estes nove casais uma reunião de balanço. No final, muito
orgulhoso com os “seus” discípulos, enviou-os a fazer pilotagem em novas
equipas que, entretanto, não sem altos e baixos, se iam formando. Foi a
equipa número dois, e logo de seguida outras.
Neste ano de 1956, o Père d’Heuilly
fez um novo retiro, em Sintra, em casa dos Amorim, de onde saiu outra equipa
constituída pelos casais Mercedes e Pedro Salema Garção; Maria Clementina e
Rui Oliveira da Silva; Maria Domingas e João Pinto Leite; Maliza e Miguel
d’Orey; Blita e Rui Soares Franco; Maria Margarida e António Luís Gomes;
Babette e Domingos d’Avillez. O casal piloto eram a Ruxa e o Leo Leitão e o
Conselheiro Espiritual era o Padre Henrique Pietra Torres. Esta equipa
recebeu o número 3 de Lisboa, e ainda reúne todos os meses, com 11 pessoas.
Os anos de crescimento das Equipas de Nossa Senhora
Entramos em 1957. Várias equipas estão
já constituídas. Começa o movimento a andar para Norte, para o Sul e para o
Interior. Portugal foi visitado pelo casal responsável internacional, o
Constantin e a Geneviéve Simpson! Pessoas simples, ele juiz e ela dona de
casa. Como dizemos por cá, gente muito “terra-a-terra”. Ficaram radiantes
por finalmente visitarem um país onde já havia algo a funcionar e onde não
era preciso, desde o primeiro dia, ir visitar os bispos e os padres, para
acalmar os mais duvidosos, aliciar casais, etc. Em 1957 o casal Simpson
visitou também o Porto.
Mas o Père d’Heuilly teve que se
explicar pois a “teoria” que ensinava era escaldante: não só ao Sr. Cardeal
Patriarca de Lisboa, como mais tarde para Roma, através de um Livro: “Amour
et Mariage”.
No entanto foi na Peregrinação
Internacional de 1959, que juntou cerca de mil casais em Roma, que o Papa
João XXIII, o Bom Papa João, encorajou as Equipas de Nossa Senhora a
prosseguirem na sua magnífica caminhada, reconhecendo o Movimento, alguns
meses depois.
Tinha valido a pena a primeira vinda
de Père d’Heuilly no seu citroen “2 cavalos”, para um tratamento com iodo
que lhe havia sido recomendado pelo seu médico
Que longe estamos d